Aprenda a chamar a polícia... falando em desarmamento... *** Eu tenho o sono
muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente
no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruidos
que vinham la de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas
portas, não fiquei muito preocupado mas era claro que eu não ia deixar um ladrão
ali, espiando tranquilamente. Liguei baixinho para a polícia informei a situação
e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no
interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma
viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais
ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho
guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia,
um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos
humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo. Eles prenderam o ladrão
em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele
estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia. No meio do
tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse: - Pensei que tivesse dito que
tinha matado o ladrão. Eu respondi: - Pensei que tivesse dito que não havia
ninguém disponível. Luís Fernando Veríssimo